capítulo 2 · análise de tendências globais

seis forças que chegam independentemente.

forças externas com origem em base científica reconhecida (wef, ipcc ar6, ipea, euromonitor) que vão atuar sobre jaraguá nos próximos 50 anos.

60+ relatórios · 18 organizações internacionais · 42 tendências filtradas
as seis forças

o que está chegando · f1 a f6

f1
WEF Future of Jobs Report 2025 · Gartner 2026
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a automação industrial acelera mais do que o planejado

Aceleração sem precedente: +13 pontos percentuais de projeção em apenas dois anos. O Gartner identificou em 2026 o fenômeno 'RIFs before reality' — demissões ligadas à IA antes da tecnologia entregar.

47%
tarefas automatizáveis até 2030 — projeção saltou de 34% (em 2023) para 47% (em 2025)
f2
IPCC AR6 · WRI Brasil 2026 · Síntese AR6 2023
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o sul do brasil aquece e as chuvas se intensificam

IPCC AR6 projeta com alta confiança científica intensificação dos eventos de precipitação extrema no sul do Brasil. O WRI Brasil documentou que o desastre do RS 2024 foi construído por decisões acumuladas — não foi acidente.

11
causas raiz do desastre do RS 2024, todas identificáveis em Jaraguá (WRI Brasil)
f3
WEF Global Risks Report 2025 · IPEA TD 3191
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a ordem comercial global se fragmenta

O WEF introduziu o conceito de 'recessão geopolítica': instituições multilaterais perdem efetividade, acordos comerciais se fragmentam, tarifas protecionistas viram norma. Cadeias produtivas mais curtas, mais regionalizadas, menos previsíveis.

ago/25
choque tarifário americano atingiu simultaneamente os dois pilares industriais
f4
Euromonitor Megatrends in Brazil 2024 · McKinsey 2025
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o consumidor brasileiro muda estruturalmente

A digitalização estrutural do varejo está retirando receita do comércio local em velocidade que os dados de 2022 ainda não capturavam. Com 93,9% dos domicílios conectados, Jaraguá compete com plataformas nacionais e internacionais.

33%
domicílios brasileiros comprando online semanalmente em 2025 (era 12% em 2019)
f5
ITDP Brasil · IPEA Cidades Médias · CAF América Latina
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o modelo urbano das cidades médias brasileiras é insustentável

Cidades médias brasileiras estão atingindo simultaneamente: saturação da expansão horizontal, dependência do automóvel além da capacidade viária, e custo de manutenção dos sistemas a diesel insustentável. A diferença para o cenário de eletrificação + substituição modal é de R$ 1 trilhão.

R$ 12 tri
gasto público acumulado até 2050 no padrão atual de mobilidade urbana (ITDP)
f6
CIFS · IPEA · CAF · FGV IBRE
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o gap de inovação das cidades industriais médias se aprofunda

Cidades industriais médias perdem seus jovens com formação superior para capitais regionais com mercados mais diversificados. Os recursos federais e estaduais de P&D fluem para grandes cidades com maior capacidade de articulação. O gap de inovação se aprofunda silenciosamente.

25–34
faixa etária com maior fuga das cidades médias industriais para capitais regionais
o que acontecerá em qualquer cenário

cinco elementos predeterminados

tendências que acontecerão independentemente das escolhas locais — a inércia dessas forças é suficientemente grande para que nenhuma decisão municipal as reverta no horizonte de 50 anos.

01

o aquecimento climático continuará

IPCC AR6 projeta com alta confiança científica aquecimento de 1,5°C a 3°C no sul do Brasil até 2100. Único elemento com certeza científica quase irrestrita.

02

a automação avançará globalmente

Mesmo no cenário mais lento de adoção, robótica e IA industrial estarão progressivamente mais baratas e disseminadas. A questão local é velocidade de chegada, não ocorrência.

03

o envelhecimento da pirâmide etária é irreversível

Os adultos de 30–44 anos que são hoje o maior grupo etário de Jaraguá estarão na faixa de 60+ em 2045. Nenhuma política local altera esse fato demográfico no prazo de 50 anos.

04

a conectividade digital continuará se expandindo

Com 93,9% dos domicílios já conectados, a digitalização do consumo, trabalho e serviços é irreversível. O varejo e o mercado de trabalho de Jaraguá já operam em ambiente digital.

05

o acordo mercosul-ue entrará em vigor

Em processo de ratificação. Os impactos sobre a estrutura produtiva brasileira se materializarão ao longo da próxima década. Não é incerteza sobre se acontece, mas sobre velocidade e intensidade.

eixos de incerteza externos

três variáveis externas que se somam aos eixos do cap 1

E4

velocidade e forma da fragmentação geopolítica

polo a — favorável

Fragmentação parcial e gerenciável: tarifas setoriais e disputas regionalizadas que afetam cadeias específicas sem colapso multilateral. Janela de adaptação de 5–10 anos.

polo b — adverso

Fragmentação acelerada e sistêmica: formação de blocos comerciais rígidos, tarifas generalizadas. Jaraguá perde mercados de exportação antes de diversificar.

E5

disponibilidade de financiamento climático e de inovação para municípios

polo a — favorável

Janela de recursos aberta: COP30 gera mecanismos de financiamento acessíveis a municípios com planos formalizados. Programas federais de P&D industrial chegam via SENAI e universidades.

polo b — adverso

Recursos concentrados nas capitais: financiamento climático e de inovação flui para grandes cidades. Cidades médias ficam na fila sem estrutura para competir.

E6

velocidade da transição para bioeconomia e economia verde no brasil

polo a — favorável

Transição acelerada e com mercado: ativo florestal de Jaraguá (64,6%) encontra mercado de carbono, biotecnologia florestal e ecoturismo de alto valor. Nova frente de diversificação.

polo b — adverso

Transição lenta e sem demanda local: bioeconomia cresce globalmente mas a cadeia não chega a cidades médias sem estrutura de P&D. O ativo florestal permanece ativo ambiental, não econômico.

o mundo não vai esperar jaraguá resolver seus nós sistêmicos — chegará enquanto eles ainda estão abertos.