nota metodológica e referências
NOTA METODOLÓGICA
Fundamentos Teóricos e Referências do Método de Análise Territorial e Cenários de Futuro Municipal
Aplicado ao projeto Jaraguá do Sul 200 Anos, Estudo de Tendências e Cenários de Futuro (2026)
Apresentação
Este documento descreve os fundamentos teóricos, as referências metodológicas e as fontes de dados que sustentam o método desenvolvido pela Bubbleless para a produção de estudos de tendências e cenários de futuro em escala municipal. O método foi aplicado em sua versão integral no projeto Jaraguá do Sul 200 Anos, Estudo de Tendências e Cenários de Futuro (2026), encomendado pelo Comitê de Desenvolvimento da Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul, Santa Catarina.
A fundamentação aqui apresentada visa garantir rastreabilidade acadêmica e metodológica às escolhas feitas ao longo do projeto, desde a estruturação dos eixos temáticos de análise até a lógica de construção dos cenários de futuro. O método articula três tradições consolidadas de pesquisa: os estudos de futuros (futures studies), o planejamento por cenários (scenario planning) e a análise territorial baseada em dados primários.
As Tradições Fundadoras do Método
2.1 Futures Studies, Estudos de Futuros
O campo dos estudos de futuros tem origem formal no período pós-Segunda Guerra Mundial, com os trabalhos da RAND Corporation nos Estados Unidos e do Instituto para Pesquisa sobre Conflitos e Futuros (IFF) na Europa. A premissa central do campo é que o futuro não pode ser previsto, mas pode ser sistematicamente explorado por meio da identificação de tendências, forças de mudança e incertezas críticas (BELL, 2003).
O Instituto Copenhague de Estudos do Futuro (Copenhagen Institute for Futures Studies, CIFS), fundado em 1969 pelo economista Thorkil Kristensen (ex-Ministro das Finanças da Dinamarca e Secretário-Geral da OCDE), é a instituição de referência central do método. O CIFS opera como think tank independente e sem fins lucrativos, produzindo metodologia de foresight estratégico para organizações públicas e privadas em escala global (CIFS, 2025).
O documento 10 Principles for Strategic Foresight (CIFS, 2023) é a referência metodológica primária deste projeto para a etapa de construção de cenários. Os princípios fundamentam a abordagem de foresight como prática de reperceção, o processo pelo qual organizações e territórios desenvolvem novas formas de ver o mundo para orientar decisões estratégicas de longo prazo.
2.2 Scenario Planning, Planejamento por Cenários
O planejamento por cenários tem sua origem mais influente nos trabalhos de Pierre Wack e Ted Newland para a Royal Dutch Shell na década de 1970. Wack desenvolveu a metodologia de cenários como ferramenta de preparação mental para líderes organizacionais, não para prever o futuro, mas para ampliar o espectro de futuros possíveis considerados no processo decisório (WACK, 1985a; 1985b).
A contribuição de Wack foi sistematizada e popularizada por Peter Schwartz, ex-diretor de planejamento de longo prazo da Shell e fundador do Global Business Network (GBN). Em The Art of the Long View (1991), Schwartz estabeleceu o framework de cenários que é a base operacional do método utilizado neste projeto: a identificação de driving forces (forças motrizes), a separação entre elementos predeterminados (tendências certas) e incertezas críticas (variáveis de alto impacto e alta incerteza), e a construção de cenários a partir dos polos opostos das incertezas críticas (SCHWARTZ, 1991).
O trabalho de Kees van der Heijden (1996) aprofundou a dimensão organizacional do planejamento por cenários, e o de Adam Kahane (2012) explorou sua aplicação em contextos de transformação social, ambos referências secundárias para a etapa de construção de cenários deste projeto.
2.3 Institute for the Future (IFTF), Foresight Metodológico
O Institute for the Future (IFTF), fundado em 1968 em Palo Alto (Califórnia) como desdobramento da RAND Corporation, é a organização de foresight mais antiga em operação contínua. Sua metodologia de futures thinking articula três camadas analíticas: sinais de mudança (signals), tendências (trends) e forças motrizes (drivers), que, combinados, geram previsões (forecasts) sobre futuros plausíveis (IFTF, 2022).
A metodologia de cross-impact matrix do IFTF, que mapeia como forças de mudança se intersectam e amplificam, é a base para a etapa de correlação cruzada entre eixos deste projeto. A abordagem de futuros participativos do IFTF, que incorpora múltiplas perspectivas na construção de cenários, inspira a etapa de pesquisa qualitativa com atores locais (Camada 3 do método) (IFTF Foresight Essentials, 2021).
Referências de Inteligência de Tendências
O método articula dados estruturais locais com um corpus de inteligência de tendências composto por relatórios de organizações internacionais de referência. Cada relatório foi selecionado por três critérios: rigor metodológico, relevância para os eixos temáticos do estudo e autoridade institucional reconhecida.
3.1 Foresight e Futuros Urbanos
| Relatório / Autor | Instituição | Relevância para o método |
|---|---|---|
| Urban World Series (2016) | McKinsey Global Institute (MGI) | Urbanização global, demografia de cidades médias em mercados emergentes, mobilidade urbana. Base para projeção de tendências urbanas de longo prazo. |
| Future of Sustainability 2024/25 | Forum for the Future | Tendências sistêmicas de sustentabilidade, transição energética, resiliência urbana. Base para o Eixo 06, Qualidade de Vida e Meio Ambiente. |
| 10 Principles for Strategic Foresight (2023) | CIFS | Guia metodológico central para construção de cenários. Fundamento direto da etapa de identificação de variáveis críticas. |
| Futures Barometer 2025 | CIFS | Expectativas, esperanças e preocupações sobre o futuro, perspectiva coletiva. Referência para calibração dos cenários narrativos. |
3.2 Comportamento do Consumidor e Sociedade
| Relatório / Autor | Instituição | Relevância para o método |
|---|---|---|
| State of the Consumer 2025: When Disruption Becomes Permanent | McKinsey & Company | Cinco forças comportamentais permanentes pós-pandemia. 25.000 consumidores em 18 mercados. Base para o eixo de qualidade de vida e consumo. |
| State of the Consumer 2024: What's Now and What's Next | McKinsey & Company | Nove tendências do consumo global com dados de 15.000 consumidores em 18 mercados. Perfis geracionais e comportamento de consumo emergente. |
| Ipsos Flair Brasil 2025: Movimentos sob a Superfície | Ipsos | Análise sociológica do consumidor-cidadão brasileiro. Tensões tectônicas, valores e expectativas. Dados primários brasileiros. Base para contextualização dos cenários no Brasil. |
| Megatrends in Brazil (2024) | Euromonitor International | Dez megatrends globais filtrados pela realidade brasileira. Projeções de comportamento de consumo por classe de renda. Metodologia econométrica com dados primários. |
3.3 Tecnologia, Trabalho e Competitividade
| Relatório / Autor | Instituição | Relevância para o método |
|---|---|---|
| The Future of Jobs Report 2025 | World Economic Forum (WEF) | Impacto da automação e IA no mercado de trabalho por setor até 2030. Diretamente relevante para o perfil industrial de cidades manufatureiras. Base para variável crítica de requalificação. |
| Global Risks Report 2025 | World Economic Forum (WEF) | Mapeamento de riscos sistêmicos globais de longo prazo, geopolíticos, ambientais, tecnológicos e sociais. Base para calibração de cenários pessimistas. |
| Future of Growth Report 2024 | World Economic Forum (WEF) | Framework de crescimento inclusivo, sustentável e resiliente. Análise de competitividade por país. Base para Eixo 02, Econômico. |
| Future of Work Trends 2026 | Gartner | Tendências do trabalho para 2026, IA, automação, requalificação. Complemento ao WEF Future of Jobs. |
3.4 Urbanismo, Mobilidade e Sustentabilidade
| Relatório / Autor | Instituição | Relevância para o método |
|---|---|---|
| World Cities Report (mais recente) | UN-Habitat (ONU) | Urbanização global, habitação, mobilidade e governança. Alta legitimidade institucional para validação do estudo junto ao setor público. |
| 30 Anos de Expansão Urbana Brasileira (2025) | WRI Brasil | Expansão horizontal vs. vertical em cidades brasileiras 1993–2020. Contexto direto para análise do Eixo 03, Mobilidade e Território. |
| Construindo Sistemas de Transporte Público Melhores (2026) | ITDP Brasil | Frameworks para mobilidade urbana de qualidade. Aplicável ao planejamento de mobilidade de longo prazo em cidades médias. |
| Cidades Compactas Eletrificadas: Brasil | ITDP Brasil | Cenários de mobilidade urbana até 2076. Potencial de redução de custos com eletrificação e substituição modal. |
| Causas Raiz do Desastre Climático RS 2024 (2026) | WRI Brasil | Análise forense do maior desastre hidrometeorológico do Brasil. Altamente relevante para municípios do sul do Brasil com risco hídrico. |
Fontes de Dados Primários, Referências Institucionais
Os dados estruturais que alimentam a Camada 1 do método provêm exclusivamente de fontes primárias de natureza oficial, produzidas por órgãos governamentais, autarquias públicas e institutos de pesquisa de reconhecida idoneidade técnica. A seguir, as referências institucionais de cada fonte.
4.1 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O IBGE é o órgão central de produção, coordenação e disseminação de informações geográficas e estatísticas no Brasil, vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento. Seus dados têm validade legal e são reconhecidos como referência oficial para políticas públicas, pesquisa acadêmica e decisões judiciais.
| Produto | Descrição | Referência |
|---|---|---|
| Censo Demográfico 2022 | Levantamento decenal da população brasileira, o maior instrumento de coleta de dados primários do país. Amostra de 100% dos domicílios brasileiros para variáveis básicas. | IBGE. Censo Demográfico 2022: Resultados do Universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.**gov.br** |
| Sistema IBGE de Recuperação Automática, SIDRA | Plataforma de acesso a tabelas estatísticas do IBGE, incluindo dados do Censo, PNAD, PIB Municipal, CEMPRE e outras pesquisas. | IBGE. SIDRA, Sistema IBGE de Recuperação Automática. Disponível em: https://sidra.ibge.**gov.br** |
| PIB dos Municípios, Tabela 5938 | Produto Interno Bruto municipal anual, com deflacionamento e comparação interanual, série 2002–2021. | IBGE. Produto Interno Bruto dos Municípios. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Referência 2010. |
| CEMPRE, Cadastro Central de Empresas | Pesquisa anual de emprego formal por seção CNAE, com séries temporais longas (tabelas 6449 e 9418). | IBGE. Cadastro Central de Empresas (CEMPRE). Rio de Janeiro: IBGE, 2024. |
4.2 MapBiomas
O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que reúne universidades, ONGs ambientais, empresas de tecnologia e institutos de pesquisa para produzir mapeamentos anuais de cobertura e uso do solo em todo o território brasileiro, utilizando imagens de satélite e algoritmos de aprendizado de máquina. A série temporal disponível (1985–presente) é única no mundo pela sua extensão e granularidade municipal.
4.3 Ministério dos Transportes, Senatran
O Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), atualmente incorporado ao Ministério dos Transportes como Senatran, é o órgão máximo executivo do Sistema Nacional de Trânsito. Os dados de frota de veículos por município são produzidos a partir do Registro Nacional de Veículos Automotores (RENAVAM) e publicados mensalmente.
4.4 Firjan, IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal)
O IFDM é produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com base em estatísticas públicas oficiais dos Ministérios do Trabalho, Educação e Saúde. É um dos índices compostos de desenvolvimento municipal mais utilizados no Brasil, com série histórica anual desde 2005 e cobertura de todos os municípios brasileiros.
4.5 Tesouro Nacional, SICONFI / Finbra
O Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI) é operado pela Secretaria do Tesouro Nacional e consolida os demonstrativos contábeis e financeiros de todos os entes da Federação, incluindo municípios. O Finbra (Finanças do Brasil) é o produto específico de dados municipais, com séries de receitas, despesas, balanço patrimonial e restos a pagar.
4.6 INEP, Censo Escolar
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação. O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de dados da educação básica brasileira, realizado anualmente em regime de colaboração entre estados e municípios.
4.7 Ministério do Trabalho e Emprego, RAIS
A Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) é um registro administrativo obrigatório para todos os estabelecimentos com vínculos formais de trabalho no Brasil. Os microdados da RAIS são disponibilizados pelo MTE e indexados na plataforma Base dos Dados (BigQuery), permitindo consultas por município, setor e nível de instrução com série histórica desde 1985.
4.8 Outras fontes de dados primários
| Fonte | Produto utilizado | Referência |
|---|---|---|
| Instituto Água e Saneamento | Indicadores de cobertura de saneamento por município, água, esgoto, coleta de lixo, risco de inundação | Instituto Água e Saneamento. Municípios e Saneamento. São Paulo, 2026. Disponível em: https://www.aguaesaneamento.org.br/municipios-e-saneamento |
| DATASUS, Ministério da Saúde | Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), óbitos por ocorrência por município e ano | BRASIL. Ministério da Saúde / SVSA / CGIAE. SIM, Sistema de Informações sobre Mortalidade. Brasília: MS, 2025. Disponível em: http://tabnet.datasus.**gov.br** |
| SSP-SC, Secretaria de Segurança Pública de SC | Boletins mensais de indicadores criminais por município, homicídios, roubos, ocorrências | SANTA CATARINA. Secretaria de Segurança Pública. Gerência de Estatística e Análise Criminal (GEAC). Boletim de Indicadores. Florianópolis: SSP-SC, jan/2024–fev/2026. |
| Fórum Brasileiro de Segurança Pública | Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 | FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. São Paulo: FBSP, 2025. ISSN 1983-7364. |
| MEC, e-MEC | Cadastro de IES, cursos de graduação e especializações autorizados por município | BRASIL. Ministério da Educação. e-MEC, Sistema de Regulação do Ensino Superior. Brasília: MEC, 2026. Disponível em: https://emec.mec.**gov.br** |
| FIESC, Federação das Indústrias do Estado de SC | Atlas da Competitividade da Indústria Catarinense 2024; Relatórios Anuais 2024 e 2025; Boletins do Observatório FIESC | FIESC / IEL-SC. Atlas da Competitividade da Indústria Catarinense 2024. Florianópolis: FIESC, 2024. ISBN 978-65-999005-1-8. |
| Economapas | Relatório socioeconômico com perfil de renda, consumo, classes sociais e projeção demográfica | ECONOMAPAS. Relatório Socioeconômico, Jaraguá do Sul SC. Gerado em 06/05/2026. Disponível em: https://economapas.com.br |
| Portal da Transparência, CGU | Transferências federais recebidas por município, por programa e ação orçamentária | BRASIL. Controladoria-Geral da União. Portal da Transparência, Transferências. Brasília: CGU, 2026. Disponível em: https://portaldatransparencia.**gov.br** |
| Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul | Plano Diretor de Ordenamento Territorial, Lei Complementar Nº 219/2018 (consolidada até out/2023) | JARAGUÁ DO SUL. Lei Complementar Nº 219, de 26 de outubro de 2018. Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Município de Jaraguá do Sul. Jaraguá do Sul: Câmara Municipal, 2018 (consolidada em 20/10/2023). |
Estrutura Analítica, Fundamentação dos 6 Eixos
A estrutura de 6 eixos temáticos que organiza a análise territorial deste método tem raízes em duas tradições de planejamento: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que oferecem uma taxonomia de dimensões de desenvolvimento humano e territorial validada internacionalmente, e os frameworks de análise de cidades do UN-Habitat (2016) e do McKinsey Global Institute (2016), que segmentam o desenvolvimento urbano em eixos estruturais comparáveis entre cidades.
| Eixo temático | Fundamentação na literatura |
|---|---|
| 01, Demográfico | Alinha-se ao framework de análise demográfica do IBGE e à metodologia de projeções populacionais do United Nations Population Division (UNPD). Referências: ODS 3 (Saúde), ODS 10 (Desigualdades), ODS 11 (Cidades Sustentáveis). |
| 02, Econômico | Baseia-se na metodologia de análise econômica regional do IBGE (PIB Municipal, CEMPRE) e nos frameworks de competitividade territorial do WEF Global Competitiveness Report e do MGI Urban World. Referências: ODS 8 (Trabalho Decente), ODS 9 (Indústria e Inovação). |
| 03, Mobilidade e Território | Fundamentado na metodologia de análise de cobertura do solo do MapBiomas e nos frameworks de mobilidade urbana sustentável do ITDP (Transit-Oriented Development) e do WRI Brasil. Referências: ODS 11 (Cidades), ODS 13 (Ação Climática). |
| 04, Educação e Capital Humano | Alinha-se ao sistema de indicadores de educação do INEP/MEC e ao framework de capital humano do WEF Future of Jobs Report. A distinção entre escolaridade da população e qualificação dos vínculos formais segue a metodologia da RAIS/MTE. Referências: ODS 4 (Educação de Qualidade). |
| 05, Governança e Serviços Públicos | Baseia-se no sistema IFDM (Firjan), no framework de finanças municipais do SICONFI/STN e nos indicadores de governança do IBGE (MUNIC). Referências: ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições), ODS 17 (Parcerias). |
| 06, Qualidade de Vida e Meio Ambiente | Fundamentado nos frameworks de qualidade de vida urbana do UN-Habitat, nos indicadores de saneamento do SNIS/SINISA e na metodologia de cobertura florestal do MapBiomas. Referências: ODS 3 (Saúde), ODS 6 (Água Limpa), ODS 15 (Vida Terrestre). |
A Lógica de Construção dos Cenários
A etapa de construção de cenários de futuro deste método segue a lógica da matriz 2x2 (two-axis scenario matrix), desenvolvida por Schwartz (1991) e consagrada pelo Global Business Network. A escolha das duas variáveis que formam os eixos da matriz segue critérios objetivos derivados da análise dos dados estruturais:
Os cenários resultantes não são previsões, são narrativas de futuros plausíveis que servem como instrumentos de preparação estratégica. A atribuição de probabilidades relativas a cada cenário é uma ferramenta pedagógica para comunicação com o cliente, não uma estimativa quantitativa rigorosa. Essa distinção é explicitada na metodologia do CIFS (2023) e de Schwartz (1991).
O método não trabalha com o conceito de cenário único 'mais provável', essa abordagem seria metodologicamente inadequada para um horizonte de 50 anos (2026–2076), no qual a incerteza sobre eventos disruptivos é inevitavelmente alta (TALEB, 2007). Em vez disso, o método produz um portfólio de cenários que cobre o espectro de futuros plausíveis, permitindo ao cliente desenvolver estratégias robustas que funcionem em múltiplos contextos futuros.
Referências Bibliográficas Completas
As referências abaixo seguem o padrão ABNT NBR 6023:2018, adaptado para publicações digitais e relatórios institucionais.
Livros e artigos acadêmicos
BELL, Wendell. Foundations of Futures Studies: History, Purposes, and Knowledge. New Brunswick: Transaction Publishers, 2003. v. 1.
INAYATULLAH, Sohail. The CLA Reader: Theory and Case Studies of Causal Layered Analysis. Taipei: Tamkang University Press, 2004.
KAHANE, Adam. Transformative Scenario Planning: Working Together to Change the Future. San Francisco: Berrett-Koehler, 2012.
SCHWARTZ, Peter. The Art of the Long View: Planning for the Future in an Uncertain World. New York: Doubleday/Currency, 1991.
SOUZA Jr., Carlos et al. Reconstructing Three Decades of Land Use and Land Cover Changes in Brazilian Biomes with Landsat Archive and Earth Engine. Remote Sensing, v. 12, n. 17, p. 2735, 2020. DOI: 10.3390/rs12172735.
TALEB, Nassim Nicholas. The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable. New York: Random House, 2007.
VAN DER HEIJDEN, Kees. Scenarios: The Art of Strategic Conversation. Chichester: John Wiley & Sons, 1996.
WACK, Pierre. Scenarios: Shooting the Rapids. Harvard Business Review, v. 63, n. 6, p. 139-150, nov./dez. 1985.
WACK, Pierre. Scenarios: Uncharted Waters Ahead. Harvard Business Review, v. 63, n. 5, p. 73-89, set./out. 1985.
Relatórios de organizações internacionais
CIFS (Copenhagen Institute for Futures Studies). 10 Principles for Strategic Foresight. Copenhagen: CIFS, 2023. Disponível em: https://www.cifs.dk/read-listen/reports-knowledge
CIFS. Executive Leadership Barometer 2035. Copenhagen: CIFS, 2025.
CIFS. Futures Barometer 2025. Copenhagen: CIFS, 2025.
EUROMONITOR INTERNATIONAL. Megatrends in Brazil. London: Euromonitor, 2024.
FORUM FOR THE FUTURE. Future of Sustainability 2024/25. London: Forum for the Future, 2025.
IFTF FORESIGHT ESSENTIALS. Creating Better Futures through Collective Intelligence. Medium / Foresight Matters, 2021. Disponível em: https://foresightessentials.medium.com
IFTF FORESIGHT ESSENTIALS. IFTF Foresight Tool: Map Complex Impacts During a Time of Uncertainty. Medium / Foresight Matters, 2021.
IFTF FORESIGHT ESSENTIALS. What Exactly is Futures Thinking? Medium / Foresight Matters, 2022.
IPSOS. Ipsos Flair Brasil 2025: Movimentos sob a Superfície, Tensões Tectônicas e Oportunidades Reais. Paris: Ipsos, outubro de 2024. Disponível em: https://www.ipsos.com/pt-br
ITDP BRASIL (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento). Cidades Compactas Eletrificadas: Brasil. Rio de Janeiro: ITDP, 2026.
ITDP BRASIL. Construindo Sistemas de Transporte Público Melhores. Rio de Janeiro: ITDP, 2026.
ITDP BRASIL. Índice de Vulnerabilidade Climática na Mobilidade Urbana. Rio de Janeiro: ITDP, 2025.
McKINSEY & COMPANY. State of the Consumer 2024: What's Now and What's Next. New York: McKinsey, junho de 2024.
McKINSEY & COMPANY. State of the Consumer 2025: When Disruption Becomes Permanent. New York: McKinsey, junho de 2025.
McKINSEY GLOBAL INSTITUTE. Urban World: Meeting the Demographic Challenge. New York: MGI, 2016.
UN-HABITAT. World Cities Report: Envisaging the Future of Cities. Nairobi: UN-Habitat, 2022.
WORLD ECONOMIC FORUM. Future of Growth Report 2024. Geneva: WEF, 2024.
WORLD ECONOMIC FORUM. Global Risks Report 2025. Geneva: WEF, 2025.
WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: WEF, 2025.
WRI BRASIL (World Resources Institute Brasil). 30 Anos de Expansão Urbana Brasileira. São Paulo: WRI Brasil, 2025.
WRI BRASIL. Arcabouço para Justiça Climática no Brasil. São Paulo: WRI Brasil, 2026.
WRI BRASIL. Causas Raiz do Desastre Climático do Rio Grande do Sul 2024. São Paulo: WRI Brasil, 2026.
WRI BRASIL. Infraestrutura Natural para Água. São Paulo: WRI Brasil, 2024.
Fontes de dados primários nacionais
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FIESC; IEL-SC. Atlas da Competitividade da Indústria Catarinense 2024. Florianópolis: FIESC, 2024. ISBN 978-65-999005-1-8.
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FIRJAN. Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, Edição 2025 (Ano-base 2023). Rio de Janeiro: Firjan, 2025. Disponível em: https://www.firjan.com.br/ifdm
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. São Paulo: FBSP, 2025. ISSN 1983-7364.
IBGE. Cadastro Central de Empresas (CEMPRE): tabelas 6449 e 9418. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.**gov.br**
IBGE. Censo Demográfico 2022: Resultados do Universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.**gov.br**
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INEP. Censo da Educação Básica 2025: Resumo Técnico. Brasília: Inep/MEC, 2026. ISBN 978-65-5801-132-3.
INSTITUTO ÁGUA E SANEAMENTO. Municípios e Saneamento, Dados por Município. São Paulo, 2026. Disponível em: https://www.aguaesaneamento.org.br/municipios-e-saneamento
JARAGUÁ DO SUL. Lei Complementar Nº 219, de 26 de outubro de 2018. Plano Diretor de Ordenamento Territorial. Versão consolidada com alterações até 20/10/2023. Jaraguá do Sul: Câmara Municipal, 2023.
MAPBIOMAS. Coleção 9 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, 1985–2024. São Paulo: MapBiomas, 2024. Disponível em: https://mapbiomas.org
SANTA CATARINA. Secretaria de Segurança Pública / GEAC. Boletins Mensais de Indicadores de Segurança Pública. Florianópolis: SSP-SC, jan/2024 a fev/2026.
Nota metodológica produzida pela Bubbleless para o projeto Jaraguá do Sul 200 Anos, Estudo de Tendências e Cenários de Futuro, 2026.